O que o Brasil está pensando, medido.
Research notes curtas a partir das nossas simulações: uma tese, os números que a sustentam e as vozes por trás deles. Comparadas com fontes públicas sempre que existir régua.
Produto de graça para influenciador é publicidade para 59% dos brasileiros
Receber um produto de graça e falar bem dele é publicidade para 59% dos brasileiros. Eles se dividem sobre o que exigir: 33% querem o selo de publi e 26% acham que basta o influenciador avisar que ganhou. Outros 26%, um bloco do mesmo tamanho mas de sentido oposto, já desistiram da distinção e respondem que tanto faz, porque assumem que todo elogio é pago.
Só 22% dos brasileiros dizem que o dono do apartamento decide sozinho se aluga por temporada
Só 22% dos brasileiros dizem que o dono do apartamento decide sozinho se aluga por temporada. A maioria, 53%, aceita que o condomínio barre a prática, e quase sempre com uma condição: o aval de uma grande maioria dos moradores. O STJ chegou ao mesmo princípio por caminho oposto, ao exigir dois terços da assembleia para liberar, não para proibir.
A exigência de cinco dias no escritório divide o Brasil pela idade: entre os mais velhos, 49% apoiam; entre os jovens, só 14%
A opinião sobre o direito de a empresa exigir cinco dias de trabalho presencial se inverte conforme a idade avança. Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, 49% acham que o presencial rende mais e que a exigência se justifica; entre os de 16 a 29 anos, apenas 14% pensam assim, e nesse grupo quase 1 em cada 3 trocaria de emprego se fosse obrigado a voltar. O retrato chega no mês em que o Nubank começa a sua volta gradual ao escritório e se torna o símbolo de uma pressão que cresce em 2026.
As bets são o raro consenso do Brasil: 67% reprovam, e o número não se move
Entre os brasileiros que opinam sobre apostas esportivas, 67% têm percepção negativa e só 8% positiva, mais de oito contra para cada um a favor. A surpresa não é o tamanho da rejeição, é a firmeza dela: varia de 64% entre os mais jovens a 71% entre os mais velhos, do Norte ao Sul, da classe A à E. Num país que raramente concorda em algo, as bets viraram consenso na semana em que o Senado debate regras mais duras para a publicidade do setor.
O medo de não fechar o mês é 13 vezes maior na classe E do que na classe A
Na classe E, 68% dos brasileiros dizem se preocupar sempre em não conseguir pagar as contas no fim do mês. Na classe A, são 5%: a preocupação não diminui aos poucos conforme a renda sobe, ela despenca num único degrau (36% na classe B, 5% na A). O retrato sai na semana em que a Serasa registra 81,7 milhões de inadimplentes no país, recorde da série e alta de 38% em dez anos.