A exigência de cinco dias no escritório divide o Brasil pela idade: entre os mais velhos, 49% apoiam; entre os jovens, só 14%
A opinião sobre o direito de a empresa exigir cinco dias de trabalho presencial se inverte conforme a idade avança. Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, 49% acham que o presencial rende mais e que a exigência se justifica; entre os de 16 a 29 anos, apenas 14% pensam assim, e nesse grupo quase 1 em cada 3 trocaria de emprego se fosse obrigado a voltar. O retrato chega no mês em que o Nubank começa a sua volta gradual ao escritório e se torna o símbolo de uma pressão que cresce em 2026.
O Nubank começou este mês sua volta gradual ao escritório, dois dias por semana subindo para três em 2027, e é só o exemplo mais visível de uma virada que empresas brasileiras vêm impondo em 2026, do banco à indústria. Enquanto as companhias apertam o presencial, a opinião pública puxa na direção contrária, com uma clivagem geracional que os números do RH costumam esconder.
As duas linhas do gráfico se cruzam, e o cruzamento é a própria tese: o apoio ao presencial sobe de 14% para 49% conforme a idade avança, enquanto a disposição de trocar de emprego cai de 27% para 9% no caminho inverso. Para quem decide política de retorno, o recado é que a mesma regra que agrada o topo da pirâmide etária empurra a base para a porta.
“Aqui em Salvador a gente gosta de se ver, de conversar no cafezinho, de trocar ideia olho no olho. Esse negócio de ficar em casa o tempo todo desanima, a gente perde o pique. Na minha área, que é de logística, a gente precisa estar junto pra resolver os pepinos, sabe? O Itaú mesmo tá chamando o povo de volta, e acho que tá certo.”
homem, 47, Salvador
“É um sacrifício pegar dois ônibus pra chegar lá no centro do Recife. Eu acho que não, não devia ter esse direito de exigir cinco dias no escritório, e eu trocaria de emprego por isso, com certeza. Pra mim, o que importa é o serviço ser feito direito, não se a gente tá lá sentado na cadeira o dia todo esquentando banco.”
mulher, 28, servidora pública, Recife