As bets são o raro consenso do Brasil: 67% reprovam, e o número não se move
Entre os brasileiros que opinam sobre apostas esportivas, 67% têm percepção negativa e só 8% positiva, mais de oito contra para cada um a favor. A surpresa não é o tamanho da rejeição, é a firmeza dela: varia de 64% entre os mais jovens a 71% entre os mais velhos, do Norte ao Sul, da classe A à E. Num país que raramente concorda em algo, as bets viraram consenso na semana em que o Senado debate regras mais duras para a publicidade do setor.
O Senado debate nesta semana regras mais rígidas para a publicidade das bets, num setor que rendeu R$ 5,89 bilhões em tributos de janeiro a maio, alta de 86% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Receita Federal. Enquanto a arrecadação sobe, a opinião pública anda na direção oposta, e de forma transversal. A nota mostra onde o brasileiro trava e por quê.
A barra quase reta do gráfico é a própria tese: uma rejeição que não se move. Não há gap geracional, não há recorte de renda que discorde, não há região dissidente. O motivo é financeiro antes de moral: endividamento e perda de dinheiro aparecem em 93% das 30 entrevistas em profundidade, e o vício em 90%.
“Meu primo mesmo, um guri de 20 e poucos, perdeu o salário do mês inteiro de uma vez só. É uma ilusão de dinheiro fácil que estraga a vida das pessoas.”
mulher, 31, Florianópolis
“As apostas esportivas são uma faca de dois gumes, né? Vejo que muita gente tá ganhando uma grana extra com isso, uns amigos meus mesmo já tiraram um bom dinheiro em um jogo ou outro, mas também tem o perigo de viciar e perder tudo.”
mulher, 30, Goiânia